Livro apresenta as 80 receitas mais típicas da cozinha de Roraima
Conheça a obra que reúne os pratos tradicionais do extremo norte brasileiro, com influências indígenas, venezuelanas e guianenses que formam uma culinária única no país.

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Uma nova publicação chega para preencher uma lacuna importante na literatura gastronômica brasileira: um livro dedicado exclusivamente às receitas típicas de Roraima, o estado mais ao norte do país. A obra reúne 80 preparações que representam a identidade culinária dessa região de fronteira, onde ingredientes e técnicas indígenas se misturam com influências venezuelanas e guianenses.
Uma cozinha de três países
A culinária de Roraima é resultado direto da geografia e da história do estado. Cercado por Venezuela e Guiana, com forte presença de povos indígenas (especialmente Macuxi, Wapichana e Yanomami), o cardápio local carrega sabores que você não encontra em nenhum outro canto do Brasil. É comum ver mandioca preparada de formas únicas, peixes de água doce temperados com pimentas regionais e frutas amazônicas que ainda não chegaram ao resto do país.
A carne de sol roraimense, por exemplo, leva temperos diferentes da nordestina que conhecemos. O peixe assado na folha de bananeira, técnica indígena milenar, divide espaço com caldeiradas que lembram receitas venezuelanas. Já o damorida, prato típico feito com banana pacovã verde ralada e carne seca, não tem equivalente em outras regiões.
Ingredientes que você precisa conhecer
O livro destaca ingredientes que são a base da mesa roraimense. A banana pacovã (ou pacová), maior e mais firme que a banana-da-terra, é usada verde em preparações salgadas. O tucumã, fruto amazônico de polpa amarela e oleosa, aparece em recheios e molhos. Peixes como tucunaré, tambaqui e pirarara são protagonistas de dezenas de receitas.
As pimentas locais, com nomes indígenas e ardência variada, temperam desde farofas até caldos. A mandioca, claro, está em tudo: virou beiju, tapioca, farinha d’água, tucupi (molho extraído da mandioca brava) e dezenas de outras formas que mostram o domínio indígena sobre essa raiz.
Por que esse livro importa
Segundo a Embrapa, muitos ingredientes amazônicos e técnicas de preparo indígenas estão em risco de desaparecer conforme as gerações mais novas se afastam da cozinha tradicional. Registrar essas 80 receitas em um livro é também preservar conhecimento ancestral sobre o uso de ingredientes regionais, combinações de sabor e métodos de cocção adaptados ao clima e aos produtos locais.
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Para quem cozinha em outras partes do Brasil, a obra funciona como porta de entrada para uma culinária pouco conhecida. Muitas receitas podem ser adaptadas com ingredientes que você encontra em feiras e mercados: a banana-da-terra no lugar da pacovã, o peixe de água doce da sua região no lugar do tucunaré, pimentas locais ajustadas ao seu gosto.
O que esperar das receitas
As 80 preparações cobrem desde pratos do dia a dia (arroz com peixe, farofas, caldos) até receitas de festa e celebração. Há capítulos dedicados a peixes, carnes, preparações de mandioca, doces regionais feitos com frutas amazônicas e bebidas típicas. Cada receita traz contexto cultural: quem prepara, em que ocasião, variações regionais e dicas para adaptar ingredientes.
A proposta é mostrar que a cozinha de Roraima, embora distante geograficamente do eixo Rio-São Paulo, é tão brasileira quanto a feijoada carioca ou o acarajé baiano. E que vale a pena conhecer, experimentar e incorporar esses sabores ao nosso repertório.
Se você nunca provou damorida, peixe no tucupi roraimense ou doce de buriti, este livro é o começo de uma viagem gastronômica sem sair da cozinha.
Fontes
- Embrapa - Pesquisa Agropecuária e Ingredientes Regionais (acesso em )
- TudoGostoso - Receitas Regionais Brasileiras (acesso em )
- SciELO Books: alimentação e nutrição (acesso em )


